Ele levava o seu bloco nos autocarros, mas não era desenhos que ele fazia dos outros transeuntes ...
Era escritas
E (porque) todas aquelas pessoas que com ele comungavam uma viagem, uma breve caminhada ou um simples cruzar duma passadeira já eram (podiam ser) seus personagens
Podia ser uma determinada feiçao, um gesto particular, uma forma de se vestir, ou uma frase entreouvida, e de repente sobrevinha-lhe a imperiosa necessidade do registo desse instantâneo. desse apontamento breve.
(desse esboço)
Se a princípio queria ser fotógrafo, e registar a realidade, mostrar as pessoas tal como elas são
(que era aquilo que mais o fascinava), percebeu todavia que isso podia criar alguns constrangimentos aos indivíduos visados. Havia quem ficasse verdadeiramente melindrado.
Nos tempos que correm, já não são os zulus em africa, ou outros aborígenes que não gostam que lhes tirem a foto com receio que isso lhes roube a alma. são os citadinos da nova sociedade cibernética, com temor do Facebook (ou outros de sitios de conteudo igualmente duvidoso).
A vida dos fotógrafos ocidentais tornou-se mais difícil (talvez seja por isso que eles acabam por ir todos para Africa a cobrir uma guerra qualquer ... porque é menos arriscado...)
Depois tentou desenhá-los. Mas até mesmo aí começou a ter alguns problemas com os demorados olhares que tomava para os registar gráficamente. (que depois queriam invariávelmente ver)
E depois havia simplesmente quem não gostasse do resultado ...
Por fim tentou mais uma outra coisa...
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