segunda-feira, 7 de maio de 2012

A mulher do poeta


A mulher do poeta tinha deixado de se atormentar pela existencia de outras musas.
Como para além do homem, amava também verdadeiramente a sua obra,
não se conseguia deixar de fascinar pela extrema qualidade desses seus escritos "apócrifos"
(nos quais ele declarava esse seus "outros" afectos ...)

Ás tantas, a legitimidade dessas suas "paixões"
(a tolerancia para com essas suas "infidelidades")
dependia afinal da qualidade das obras que ele assim produzia (*)

E mesmo após a morte do poeta, ela não se coibia de afirmar :
" essa ?, não passa de uma paixão vulgar ...!" (de uma mulher vulgar...)
"...a banalidade dos seus escritos denuncia-o ! "
"... sinto-me traída ! "

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