talvez até conseguíssemos imaginar um futuro em eles não fossem famosos.
Em que os grandes artistas que conhecessemos hoje voltassem a ser perfeitamente anónimos (tal como começaram)
E que as suas obras tenham perdido (até) o seu exorbitante valor monetário
que Leonardo da Vinci tenha caido no esquecimento
(que já ninguem - excepto os calvos - saiba sequer o que é a mona lisa)
que William Shakespeare nem sequer tenha existido como dramaturgo
que Andy Wharhol tenha passado à banalidade
que Pablo Picasso não seja mais do que um excentrico a quem os criticos deixaram de dar valor
que Toulouse Lautrec seja apenas um conjunto de posters publicitários "démodés""
que Vincent Van Gogh não passe de um louco esquizofrénico que afinal nem sequer se suicidou (o que o desvalorizou bastante)
que Alexandre Dumas se tenha tornado enfadonho
e que Fernando pessoa se torne novamente apenas um homem ridículo
E o que aconteceu ?
Nada.
(nada de especial)
As pessoas que detinham as sua obras, ou objectos de culto não perderam o valor do seu investimento de um dia para o outro. Não houve propriamente um "crash" bolsista (nenhum "crash" artista)
os quadros até continuaram sempre a valer o mesmo...
Mas o problema foi afinal mesmo esse
O resto é que começou a valer mais
(eles é que deixaram de se valorizar)
Os mercados passaram a dar valor a tudo o resto
às materias primas
às pedras preciosas em estado bruto
aos montantes monetários
(o dinheiro passou a ser mais importante do que eles)
e então
paulatinamente
eles deixaram de ter importância
Foi um lenta agonia, mas
o "petit dejeuner sur l´herbe" passou a não valer mais do que uma cesta de piquenique
os "campos de trigo" a valer mais ou menos o mesmo do que uma duzia de carcaças de pão.
e "o grito" a valer pouco mais do que uma caixa de medocaína, (ou de Xanax).
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