Agora também já se podiam arranjar substitutos
para as pessoas falecidas.
Os clones eram em tudo idênticos.
Mas não eram a mesma coisa...
A primeira utilidade que lhes resolveram dar
quando criaram os clones era isso mesmo.
Era substituir provisoriamente os mortos...
E criaram assim esta espécie de memoriais "vivos"
de pessoas mortas...
Uma vez que não se tornou imediatamente legal
possuir clones de pessoas vivas
(por causa dos direitos de autor)
Então produziram-nos inicialmente
com um mínimo de tecnologia
e para realizar tarefas simples
Como simplesmente deixar-se estar a ser velado
ao lado de um cadáver.
ou para apenas andarem a deambular pela casa
nas semanas que se sucediam ao obito.
Havia quem explicasse que era como se aquele seu ente querido
tivesse tido um AVC, ou estivesse em coma.
Pelo menos tinham-no lá, diziam.
e podiam tocar-lhe, (e assim...)
Os primeiros modelos eram então bastante básicos
e limitavam-se a deixar-se ficar parados
ou a passear com um mínimo de movimento, e em silencio
nos locais por onde os falecidos costumavam andar
Outros, um pouco mais evoluído
deixavam-se abraçar
que era uma necessidade muito premente
para alguns dos seus conhecidos
Não podiam era falar
(isso não lhes era permitido)
Porque se podia gerar toda uma sorte de equívocos
e confusões jurídicas...
Consoante a dimensão púbica e notoriedade dos indivíduos visados,
(ou disponibilidade financeira dos seus proximos)
Podiam arranjar-se modelos de maior autonomia
que cobrissem espaços, e percursos maiores.
As vezes até usavam mais do que um
desde que em circuitos em que não se cruzassem
eram assim esta espécie de estátuas dinamicas,
de memoriais ambulantes.
cuja única coisa que faziam
era vaguear por aí calmamente
em casa , no local de trabalho
ou ficar apenas a olhar para nós
(a olhar por nós ... como alguns diziam)
As vezes ate podiam-nos pegar na não.
para as famílias dizia-se que ajudava a ultrapassar aqueles momentos.
A aclamar a dor.
depois, gradualmente
a sua presença ia-se tornando menos premente
mais escassa
até desaparecerem completamente de circulação
como quem foi fazer uma viagem
Nessa altura eram-lhes retiradas as restrições
e as inibições de linguagem, ou de interacção.
E eram normalmente remetidos
para para trabalharem num ponto distante do globo
(ou para outro planeta ...)
Onde podiam iniciar a sua própria vida
como seres humanos plenos.
Nessa altura
a maioria alterava de tal forma o seu aspecto
que já não era possível reconhece-los
passado algum tempo.
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