quarta-feira, 30 de março de 2016
Bring on the clones
para as pessoas falecidas.
Os clones eram em tudo idênticos.
Mas não eram a mesma coisa...
A primeira utilidade que lhes resolveram dar
quando criaram os clones era isso mesmo.
Era substituir provisoriamente os mortos...
E criaram assim esta espécie de memoriais "vivos"
de pessoas mortas...
Uma vez que não se tornou imediatamente legal
possuir clones de pessoas vivas
(por causa dos direitos de autor)
Então produziram-nos inicialmente
com um mínimo de tecnologia
e para realizar tarefas simples
Como simplesmente deixar-se estar a ser velado
ao lado de um cadáver.
ou para apenas andarem a deambular pela casa
nas semanas que se sucediam ao obito.
Havia quem explicasse que era como se aquele seu ente querido
tivesse tido um AVC, ou estivesse em coma.
Pelo menos tinham-no lá, diziam.
e podiam tocar-lhe, (e assim...)
Os primeiros modelos eram então bastante básicos
e limitavam-se a deixar-se ficar parados
ou a passear com um mínimo de movimento, e em silencio
nos locais por onde os falecidos costumavam andar
Outros, um pouco mais evoluído
deixavam-se abraçar
que era uma necessidade muito premente
para alguns dos seus conhecidos
Não podiam era falar
(isso não lhes era permitido)
Porque se podia gerar toda uma sorte de equívocos
e confusões jurídicas...
Consoante a dimensão púbica e notoriedade dos indivíduos visados,
(ou disponibilidade financeira dos seus proximos)
Podiam arranjar-se modelos de maior autonomia
que cobrissem espaços, e percursos maiores.
As vezes até usavam mais do que um
desde que em circuitos em que não se cruzassem
eram assim esta espécie de estátuas dinamicas,
de memoriais ambulantes.
cuja única coisa que faziam
era vaguear por aí calmamente
em casa , no local de trabalho
ou ficar apenas a olhar para nós
(a olhar por nós ... como alguns diziam)
As vezes ate podiam-nos pegar na não.
para as famílias dizia-se que ajudava a ultrapassar aqueles momentos.
A aclamar a dor.
depois, gradualmente
a sua presença ia-se tornando menos premente
mais escassa
até desaparecerem completamente de circulação
como quem foi fazer uma viagem
Nessa altura eram-lhes retiradas as restrições
e as inibições de linguagem, ou de interacção.
E eram normalmente remetidos
para para trabalharem num ponto distante do globo
(ou para outro planeta ...)
Onde podiam iniciar a sua própria vida
como seres humanos plenos.
Nessa altura
a maioria alterava de tal forma o seu aspecto
que já não era possível reconhece-los
passado algum tempo.
terça-feira, 15 de março de 2016
SIRIOS
O que achas dos Persas ?
Gostas de Persas ?
...
Persas ?
...
Eu detesto Persas...
Acho-os pirosos ...
Principalmente na sala...
Prefiro Turcos ...
esses ao menos teem utilidade
...
Turcos...?!
Mas tu tens Turcos na sala ?
...
Claro que não... estás parva ?
para que é que eu haveria de querer Turcos na sala ?!
...
E qual é o problema ?
eu às vezes até lá tenho um ...
...
Onde ?
...
Lá ... na sala
não o viste ?
é para o meu cão..
é onde ele gosta de se deitar ... é em cima do Turco..
...
Ah ...
...
Sabes o que te fazia falta na sala ?
Sirios.
....
Sirios ?
...
Sim ... dão logo outro ambiente ... outra luz ...
não achas ?
Até há uns com cheiro...
...
Com cheiro ?
os Sirios ?
...
Sim.
E na entrada tambem eram capazes de ficar bem ...
...
Na entrada ?!
...
Na entrada, pois
...
Não eras tu que chegaste ter Persas na entrada?
...
Quem eu ?
há quanto tempo é que não vais a minha casa...?
...
No meŝ passado , não foi ... ?
parece que lá vi um na entrada ...
...
No ano passado talvez...!
onde é que tu viste Persas na entrada...
...
mas tu não tens Persas ?
...
Eu ? ...
eu tenho UM Persa
e esse anda por toda a casa...não está só na entrada...
...
Então mas e ...
Assim não ficas com pêlos pela casa toda.... ?
...
Nem por isso...
...
Mas se for para não soltar pêlo ...
então o melhor são mesmo os Turcos
quinta-feira, 3 de março de 2016
Evolução (1)
Quando aquele indivíduo
sentindo-se ostracizado pelos da sua espécie
pelas subtis diferenças genéticas que lhe começaram a surgir no corpo
(que lhe conferiam uma espécie de dentes no orifício bocal)
resolveu abandonar o grupo,
não os deixou sem antes um desabafo :
Os meus descendentes ainda hão de alimentar-se dos vossos !
quarta-feira, 2 de março de 2016
Romeu e Julieta
Era a nossa versão moderna
de um amor impossivel :
As nossas familias simplesmente não iam deixar.
Especialmente o marido dela.
(ou a minha mulher)