I gave you my heart ...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Maria
Ela julgara ter criado o melhor perfil para aquela rede social de encontros.
Escolhera fotos sugestivas
uma serie de dados e pensamentos interessantes para complementar
E um nome não inesperado : Maria
Não importa que o nome ou a imagem não fosse exactamente dela : Maria continuava a ser sua
Sua criação
Sua criatura
Mas assim que lhe revelou a sua verdadeira imagem, Ele contrapôs :
Também ele tinha inventado a Maria
Se aquela imagem já não era dela
era agora dele.
Era sobre ela que ele tinha projectado todo o seu discurso
Era afinal ele que a tinha realmente criado
Era ele que tinha criado a Maria
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Everything is displaced
Sabem aquela historia
do homem que procura um prostituta e depois passa todo o tempo apenas a falar com ela
porque afinal precisa é de desabafar ?
Esse mesmo homem ainda resolve ir ter com uma amiga
e dizer-lhe que precisa de falar
mas acaba é na cama com ela.
marcará depois consulta com um medico
que lhe receita um remedio que não lhe faz nada
e é o sapateiro que lhe ira recomendar uma mezinha
realmente eficaz para o seu problema
Como é que acaba esta história ?
com a mulher que com ele casou, mas que é esteril
ou com os filhos que ele tem de outra mulher que enganava o marido.
(ou de um casal de lesbicas que lhe pediu o semen emprestado...)
Porque tudo o que é suposto ser e não é
e tudo o que é
e não é suposto ser
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Admirável mundo novo (II)
Nesse admiravel mundo novo
os pais não possuiam direitos sobre os filhos
Nesse admiravel mundo novo
as crianças eram-lhes logo retiradas e distribuidas a familias mais adequadas
Mas nesse mundo novo e admirável
os pais também recebiam logo de seguida outra mais apropriada ás suas caracteristicas cognitivas
Nesse admirável mundo
a complexa redistribuição das crianças era assim sabiamente geriada entre as familias que ainda se predispunham a reproduzir
Nesse mundo novo, admirável
depois não se sabia bem a quem é que iria por fim calhar aquele bebé
E nesse novo mundo as familias também faziam testes de ADN
mas era para saber se por acaso até lhes tinham sido atribuidos os proprios filhos
E depois
não se admirem
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Na pior das hipóteses : uma telenovela
Na melhor das hipoteses
ela resolve-se inseminar com um clone seu
(já que ele é completamente estéril )
Na pior das hipóteses
ele nunca a consegue vir a considerar sua filha
(porque os genes são todos dela)
Na melhor das hipoteses
ela encontra o seu verdadeiro sentido da vida
dedicando-se em absoluto a criar aquela criança
Na pior das hipoteses
toda aquela situação (em que ele passa a ser secundário)
farão com que ele acabe por deixá-la precocemente com um bebé nos braços
Na melhor das hipoteses
a mãe ocultará sempre essa prévia relação á filha
destruindo tudo o que dizia respeito ao "pai"
(que afinal nem isso era...)
Na pior da hipoteses
ele virá a cruzar-se anos mais tarde com a "filha"
Na melhor das hipóteses
ele apaixonar-se-á por ela sem que se dê conta da situação
(já que se trata da imagem jovem da mulher que afinal sempre amou)
Na pior das hipoteses
a mãe terá entretanto morrido
viabilizando por fim um final feliz
Na melhor das hipoteses
ele diz ter finalmente encontrado o verdadeiro sentido da sua vida
Na pior das hipoteses
talvez nao fosse bem esta a história que gostassem de ouvir
Na melhor das hipóteses
uma telenovela
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Os cães, os gatos, os periquitos...
Ainda bem que resolvemos adoptar animais com ciclos de vida significativamente inferior ao nosso.
Se fossem antes tartarugas , ou baleias ficariamos na duvida.
Se nao deviam ser elas a adoptarnos a nós.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
A outra metade
Aquele homem andava à procura da sua outra metade.
Mas não era de uma mulher que ele andava à procura
(nem sequer de outro homem.)
O que ele andava à procura era mesmo da Sua outra metade
Aquela que ele perdeu
durante todo o tempo em que se entregou a metade de outra pessoa.
(Porque é isso o que acontece quando nos entregamos a uma outra metade)
Platão, esse na realidade nunca acertou em relação a nada.
e aliás naquele banquete já devia era estar tudo meio bêbado
ou metade
quarta-feira, 15 de junho de 2016
LapTop Less
O escritor levava o seu laptop de manhã para o café
como o micro rato parecia não querer funcionar ao seu colo,
ou mesmo sobre a mesa
lá teve de ir buscar uma qualquer revista popular ao balcão.
Daquelas cheias de voluptuosas mulheres com peitos proeminentes na capa.
"Então agora, o sr. intelectual também se interessa por estas revistas" ?
"...Ah olhe, servem-me de tapete para o rato...
"...mas também confeso que me faz sentir bem estar a passar as mãos pelas mamas destas senhoras"
"...Eu sei que são apenas fotos, ... que não são verdadeiras...
"...Mas desconfio que as delas também não..."
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Para que ser bonita
...
Para que é que queres ser uma mulher bonita ?
...
Para quê ?
para poder ser livre
...
Livre para quê ?
...
Livre para poder estar sozinha
...
Não era para poder escolher ?
...
Sim, também.
Para poder escolher
Para poder escolher estar sozinha.
...
terça-feira, 5 de abril de 2016
As crianças do futuro
As crianças do futuro não terão família
foram geradas por um programa informático
aliadas a um dispositivo biologico
genético
que tentará aproveitar
resgatar
todos os residuos ainda viáveis
de cromossomas perdidos
que á humanidade ainda restar
Neste mundo novo
gerado pelo nosso admirável egoismo
as crianças serão criadas por sistemas
por programas educacionais
verdadeiramente pedagogicos
sem nunca verem um adulto
Não por vontade de uma autoridade despótica
ou um qualquer big brother
(assim nós não o deixemos)
mas por não haver já quem as queira
para as crianças do futuro já não haverá familias
já não haverá familias que as queiram
porque simplesmente
já não haverá familias
as crianças do futuro vivem assim
em sistemas
instutuições
mas não sabem porquê
mas também não existem de outra forma
não conhecem outra forma
porque não há crianças de outra forma
e assim começa a sua histora
(neste mundo só de crianças)
(...)
porque as crianças do futuro
andam á procura de qualquer coisa
ou de alguém
que elas não sabem explicar
porque elas não sabem quem são
e nem sequer sabem
que não sabem quem são
o que elas procuram são as outras pessoas
os adultos
que elas nem sabem que procuram
porque nunca viram nenhum
e nem sequer imaginam
que se vão tornar num
o que elas buscam são as pessoas
a humanidade
e a principio vão todos julgar
que quem tomou conta de tudo
foram as maquinas
os robots
que foram elas que mataram
ou que expulsaram as pessoas
mas o que descobrirão na verdade
foi que foram as proprias pessoas que fugiram
para viver o seu proprio egoismo
deixando as crianças ao seu cuidado
e que nesta distopia
eram afinal as maquinas
que procuravam safar a humanidade
pelo caminho descobrirão
neste mundo feito só de crianças
que uma delas não é sequer uma delas
mas uma maquina
colocada no meio deles
não como espião
mas afinal para as ajudar
quando por fim descobrirem a verdade
que não foram as maquinas que geraram tudo aquilo
mas que é a propria "humanidade"
que já não quer nada com elas
a não ser quando se tornam adultas
que é quando as maquinas lhes permitem que as levem
porque já se podem tambem defender
os individuos
esperando que alguns deles
não se tornem depois assim iguais aos demais
...
quarta-feira, 30 de março de 2016
Bring on the clones
para as pessoas falecidas.
Os clones eram em tudo idênticos.
Mas não eram a mesma coisa...
A primeira utilidade que lhes resolveram dar
quando criaram os clones era isso mesmo.
Era substituir provisoriamente os mortos...
E criaram assim esta espécie de memoriais "vivos"
de pessoas mortas...
Uma vez que não se tornou imediatamente legal
possuir clones de pessoas vivas
(por causa dos direitos de autor)
Então produziram-nos inicialmente
com um mínimo de tecnologia
e para realizar tarefas simples
Como simplesmente deixar-se estar a ser velado
ao lado de um cadáver.
ou para apenas andarem a deambular pela casa
nas semanas que se sucediam ao obito.
Havia quem explicasse que era como se aquele seu ente querido
tivesse tido um AVC, ou estivesse em coma.
Pelo menos tinham-no lá, diziam.
e podiam tocar-lhe, (e assim...)
Os primeiros modelos eram então bastante básicos
e limitavam-se a deixar-se ficar parados
ou a passear com um mínimo de movimento, e em silencio
nos locais por onde os falecidos costumavam andar
Outros, um pouco mais evoluído
deixavam-se abraçar
que era uma necessidade muito premente
para alguns dos seus conhecidos
Não podiam era falar
(isso não lhes era permitido)
Porque se podia gerar toda uma sorte de equívocos
e confusões jurídicas...
Consoante a dimensão púbica e notoriedade dos indivíduos visados,
(ou disponibilidade financeira dos seus proximos)
Podiam arranjar-se modelos de maior autonomia
que cobrissem espaços, e percursos maiores.
As vezes até usavam mais do que um
desde que em circuitos em que não se cruzassem
eram assim esta espécie de estátuas dinamicas,
de memoriais ambulantes.
cuja única coisa que faziam
era vaguear por aí calmamente
em casa , no local de trabalho
ou ficar apenas a olhar para nós
(a olhar por nós ... como alguns diziam)
As vezes ate podiam-nos pegar na não.
para as famílias dizia-se que ajudava a ultrapassar aqueles momentos.
A aclamar a dor.
depois, gradualmente
a sua presença ia-se tornando menos premente
mais escassa
até desaparecerem completamente de circulação
como quem foi fazer uma viagem
Nessa altura eram-lhes retiradas as restrições
e as inibições de linguagem, ou de interacção.
E eram normalmente remetidos
para para trabalharem num ponto distante do globo
(ou para outro planeta ...)
Onde podiam iniciar a sua própria vida
como seres humanos plenos.
Nessa altura
a maioria alterava de tal forma o seu aspecto
que já não era possível reconhece-los
passado algum tempo.
terça-feira, 15 de março de 2016
SIRIOS
O que achas dos Persas ?
Gostas de Persas ?
...
Persas ?
...
Eu detesto Persas...
Acho-os pirosos ...
Principalmente na sala...
Prefiro Turcos ...
esses ao menos teem utilidade
...
Turcos...?!
Mas tu tens Turcos na sala ?
...
Claro que não... estás parva ?
para que é que eu haveria de querer Turcos na sala ?!
...
E qual é o problema ?
eu às vezes até lá tenho um ...
...
Onde ?
...
Lá ... na sala
não o viste ?
é para o meu cão..
é onde ele gosta de se deitar ... é em cima do Turco..
...
Ah ...
...
Sabes o que te fazia falta na sala ?
Sirios.
....
Sirios ?
...
Sim ... dão logo outro ambiente ... outra luz ...
não achas ?
Até há uns com cheiro...
...
Com cheiro ?
os Sirios ?
...
Sim.
E na entrada tambem eram capazes de ficar bem ...
...
Na entrada ?!
...
Na entrada, pois
...
Não eras tu que chegaste ter Persas na entrada?
...
Quem eu ?
há quanto tempo é que não vais a minha casa...?
...
No meŝ passado , não foi ... ?
parece que lá vi um na entrada ...
...
No ano passado talvez...!
onde é que tu viste Persas na entrada...
...
mas tu não tens Persas ?
...
Eu ? ...
eu tenho UM Persa
e esse anda por toda a casa...não está só na entrada...
...
Então mas e ...
Assim não ficas com pêlos pela casa toda.... ?
...
Nem por isso...
...
Mas se for para não soltar pêlo ...
então o melhor são mesmo os Turcos
quinta-feira, 3 de março de 2016
Evolução (1)
Quando aquele indivíduo
sentindo-se ostracizado pelos da sua espécie
pelas subtis diferenças genéticas que lhe começaram a surgir no corpo
(que lhe conferiam uma espécie de dentes no orifício bocal)
resolveu abandonar o grupo,
não os deixou sem antes um desabafo :
Os meus descendentes ainda hão de alimentar-se dos vossos !
quarta-feira, 2 de março de 2016
Romeu e Julieta
Era a nossa versão moderna
de um amor impossivel :
As nossas familias simplesmente não iam deixar.
Especialmente o marido dela.
(ou a minha mulher)
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Love me Tinder
Olha para mim.
Não olhes para mim.
Estás a olhar para mim ?
Aqui não há poesia.
Não há palavras.
Aqui só as imagens contam.
Aqui só existe
a poesia das linhas do teu rosto.
E do teu corpo.
(E do meu ?)
Olha para mim.
Não olhes para mim.
Estás a olhar para mim ?
Aqui não há palavras.
Não há poesia.
Aqui qualquer coisa que escrevas ( estas linhas ?)
É ridicula.
como as cartas de amor.
Olha para mim
Estás a olhar para mim ?
Eu também estou a olhar para ti.
Só não sei quando.
Aqui olhamos um para outro
mas não sabemos quando.
Aqui o instante em que olhei para para ti
não te pertence.
Nem o teu olhar me pertence.
Aqui o instante em que olhamos um para outro
Não existe.
Olha para mim.
Não estejas a olhar para mim.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Pele com Pele
Ela com aquelas suas novas botas
altas e brilhantes
tornava-se simplesmente irresistível para ele.
Ele por seu lado
com aquele seu blusão justo de cabedal
conseguia despertar nela um inusitado desejo lascivo.
Quando deram por isso
já se tinham deixado atingir um tal frenesim
e em pleno acto
sem nunca sequer despirem
as respectivas peças de roupa.
Ela tinha-se deixado envolver completamente por aquele casaco
E ele absolutamente esmagado pelas botas.
Por fim
dada a sua extrema obsessão por aqueles elementos de vestuário
não conseguiam chegar a perceber
se era realmente entre eles que estava a acontecer o coito
ou se não era afinal entre aqueles 2 objectos.
Se não estavam afinal os dois
no meio de uma relação
entre duas peças de couro.