quinta-feira, 6 de agosto de 2015

As mulheres de Babel

Uma das ideias que as pessoas erradamente atribuem às torres de Babel
reside no facto de se julgar que elas de repente passaram a utilizar palavras distintas.

Ora isso não passa de um mito.
De um erro histórico grosseiro.

Elas na realidade continuaram a usar exatamente as mesmas palavras.
Só que de forma distinta.

E por isso mesmo,
não se tornou imediatamente evidente que elas não falavam de facto a mesma língua.

Por isso mesmo,
durante muito tempo toda a gente acreditava que elas falavam a mesma lingua.
Apenas porque utilizavam as mesmas palavras.

Mas os seus significados eram afinal completamente distintos.
E então aquela aparência sonora idêntica, aquela construção verbal similar, apenas servia para os confundir ainda mais.

Tomemos por exemplo a palavra Amor.
Enquanto para eles significava uma emoção. Um sentimento.
Uma força que podia despontar entre 2 seres,
independentemente das suas circunstâncias, origens, raças ou credos.

Para elas significava uma coisa absolutamente distinta :
Um estado. Uma consonância, um acordo.
Uma situação. Uma concordância, um encontro (de condições ?).
Ulma conjugação de esforços.

E assim, ao invés de se conseguirem entender melhor através do diálogo,
pelo contrário.
Da troca de palavras só se conseguiam ir confundindo mais e mais um ao outro.

Porque era apenas isso mesmo que tinha acontecido.
Uma troca de palavras.

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