Com a adequada tecnologia genética
as adopções passaram a ser capazes de incorporar os genes das famílias de acolhimento.
Tudo isto porque os problemas de integração das crianças adoptadas se tinham tornado mais que muitos nas actuais sociedades egocêntristas.
E a taxa de devolução de crianças era altíssima
O que obviamente deixava marcas cada vez mais intoleráveis nos meninos.
Desta forma, com os infantes a adquirirem as suas próprias características,
as pessoas já não devolviam tanto os seus filhos...
Para eles, o processo era bastante natural.
Era tudo feito de forma muito gradual.
Era com se se tratasse de uma outra fase do seu crescimento.
Em que viam os seus corpos a transformar-se noutra coisa.
Todos os dias quando se olhavam ao espelho havia uma novidade.
E de um momento para o outro já não eram os mesmos,
mas não fazia mal.
Pois eles (v)iam-se tornando cada vez mais parecidos com os seus novos "país" (ou avós)
Ou até mesmo eventualmente irmãos... ou irmãs.
O que era emocionalmente precioso para a sua auto estima
(e noção de integração)
Mentalmente é que a coisa era mais complicada.
principalmente quando havia aqueles pais mais intelectuais.
que não se satisfaziam apenas com as semelhanças físicas
e faziam questão que a adopção envolvesse também características de personalidade.
Mas isto era já também algo perfeitamente ultrapassável.
Mesmo que as criancinhas dessem ás vezes por si a interrogaram-se
Sobre quem de facto eram ... mas afinal que diferença é que isso fazia de mais do que um período de adolescência ...?
Pelas regras era absolutamente proibido utilizar informação genética
que não pertencesse à família dos progenitores adoptantes (até à 3a geração). E as famílias tinham de fazer prova desses mesmos genes.
(para obviar eventuais disparates... como querer escolher características para os seus filhos).
Quando o processo estava concluído nem os verdadeiros (e originais) pais eram capazes de reconhecer os filhos que tinham gerado (e vice versa).
O que constituía também uma tremenda vantagem para eventuais conflitos posteriores.
E deixava (até) de ser significativo para os filhos
quererem conhecer posteriormente os seus anteriores progenitores...
Era este o caso do Ary
Uma criança de cor (como era aliás a maioria de casos nas agências de adopção )
Não deixava de ser particularmente interessante a transformação de um rapazinho negro numa criança branca (o que dava azo a processos bastante curiosos....)
Os pais do Ary não tinham simplesmente rendimentos suficientes para que ele pudesse continuar a ser preto.