Se o problema dela era o da bipolaridade
o dele era a dupla personalidade
o dele era a dupla personalidade
E era mesmo assim que os dois se tinham apaixonado
Ou melhor dizendo
era assim que eles constituíam o seu triângulo amoroso
(que talvez se parecesse mais com um quadrado)
era assim que eles constituíam o seu triângulo amoroso
(que talvez se parecesse mais com um quadrado)
Pois se ele estava efectivamente apaixonado por ela
ela por seu lado estava apaixonada era pelo OUTRO
(por aquele no qual ele às vezes se transformava)
ela por seu lado estava apaixonada era pelo OUTRO
(por aquele no qual ele às vezes se transformava)
Que sendo ele próprio também
esse outro é que não lhe achava propriamente graça
a Ela
esse outro é que não lhe achava propriamente graça
a Ela
A não ser talvez
quando ela própria se tornava uma outra
(quando atingia alguns daqueles seus estados de euforia)
(quando atingia alguns daqueles seus estados de euforia)
E levava assim também ela uma vida dupla
tolerando-lhe uma personalidade
enquanto ansiava pela outra
(aquela que realmente amava)
tolerando-lhe uma personalidade
enquanto ansiava pela outra
(aquela que realmente amava)
Por isso ainda que estivessem sempre juntos
os amantes nunca se conseguiam encontrar
os amantes nunca se conseguiam encontrar
e enquanto um se apaixonava pela sua fase depressiva
o outro pela sua euforia
o outro pela sua euforia
Às vezes, mas nem sempre
encontravam-se quando muito amante e amada(o)
encontravam-se quando muito amante e amada(o)
Mas curiosamente,
quem mais vezes se encontrava
eram precisamente aqueles dois que eram estranhos
e que nada diziam um ao outro
quem mais vezes se encontrava
eram precisamente aqueles dois que eram estranhos
e que nada diziam um ao outro
Por mais estranho que pareça o "seu caso" é muito mais vulgar do que imaginamos.
ResponderEliminarHá sempre alguém a debater-se com esse problema: ser uma pessoa que não assume ser o que é e, teima em afirmar-se o que não consegue ser...Compliações de Humanos, amigo Filipe!