quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Imortal (parte 1)

Ao contrário do que alguns dizem
acerca da natureza única de cada individuo
aquele imortal tinha-se apercebido,
na sua quase infinita vivência,
(de milénios a andar entre os homens)
a percorrer toda a historia da humanidade

É que as pessoas afinal se repetem.

Aquele imortal havia descoberto
que havia algo de mais extraordinário no mundo
do que a sua própria imortalidade
(que era já de si invulgar)

Aquilo de que o imortal se apercebeu
e que lhe dava afinal a razão para continuar a viver (e eternamente)*
era que os indivíduos podem morrer,
as épocas podem mudar,
as gerações podem renovar-se,

mas de tempos a tempos
as mesmas pessoas voltam a surgir.

Aquela determinada pessoa volta a aparecer.
Não como ele que era imortal,
(e que por isso não chegava a morrer)
simplesmente voltavam a nascer pessoas idênticas.

Sem memória ou consciência da sua condição,
e sendo em tudo novas criaturas.
(mas) que não eram todavia originais.

Tanto aos homens, como às mulheres assim sucedia.
(também elas se voltavam a repetir)

A ele todavia só lhe interessava mesmo
e sempre
era encontrar novamente a sua mulher
Aquela que ele estava constantemente a perder.