quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ponto cego


E então ela chegou
e depois daquele primeiro e fulminante olhar que o inquietou
foi sentar-se precisamente naquele lugar
que não permitia afinal uma linha de visão directa

Goradas as aparentes expectativas que aquele primeiro contacto visual parecia querer proporcionar

descobriu todavia depois que bastava apenas um movimento do corpo
uma pequena (mas sem duvida deliberada) oscilação do tronco
para que os olhos (se) pudessem novamente cruzar

A situação deixou-o talvez um pouco intrigado
e até desconfortável
(o movimento não deixava de ser um pouco forçado)

Porque teria ela agido assim ?
estaria ela à espera de mais algum passo ?
parecia que ela queria que ele de alguma forma se esforçasse
parecia uma daquelas situações que nem sim nem não

Mas por outro lado
mostrou também que não se tratava de uma mulher fácil
e ele também gostava disso

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Nano-namorado

O nano-namorado é assim mesmo

o nano-namorado não se demora:
Enamora-se.

contenta-se apenas com um olhar
com um sorrir

com aquele micro-instante
em que ela lhe retribui o olhar

mesmo que se cruzem apenas uma vez
(e que nunca mais se tornem a encontrar)

durante aquele nano-segundo
aquele instante infinitésimal

Ele sabe que ela foi dEle
E de mais ninguém

e vive essa fracção de segundo
como se fosse uma vida.

uma era.
a duração de todo um universo

esse instante de felicidade
em que ambos se olharam
(e sorriram ?)
coroam toda uma eternidade.

o nano-namorado não se importa
com o que (lhe) dizem alguns deles

porque sabe existirem muitos mais seres
que nascem e morrem nesse mesmo intervalo de tempo

o nano-namorado
vive toda a vida nesse instante

mesmo que ela a seguir
simplesmente se levante e se vá embora