sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O escritor de futuros (2)

Quando lhe perguntaram um dia
porque não escrevia ele um romance ?
ou uma biografia (como fazem os outros ?)

Nessa altura ele afirmou
"Porque não interessam escrever passados"
"Interessam-me mais escrever futuros"

"Quero antes ser um escritor de futuros"

" Não se trata de ficção cientifica"

"Não me interessam as fábulas de amanhãs catastróficos
sobre o possível futuro de uma sociedade
ou de um conjunto de pessoas hipotéticas

Interessa-me é escrever sobre o futuro possível
de alguém que exista realmente
de futuros próximos ... ou mais distantes
de alguém tenha à minha frente

Quero escrever sobre o futuro de pessoas reais
de pegar na vida das pessoas,
e escrever-lhes esses outros porvir

futuros ideais (idílicos), mas pessoais
que também podem ser catastróficos..."

Apresentava-se como um recontador de historias

Misturava factos inventados com reais,
misturava o passado com o futuro
e era a partir desses pedaços dispersos
do presente e do passado de alguém
que a sua escrita ia surgindo

Nascia então uma espécie de romance do seu futuro
(era assim que lhes escrevia os futuros)

Reconstruía assim um puzzle com as peças todas trocadas
(e às vezes com peças de outros conjuntos)
Mas parecia que mesmo assim as peças queriam à mesma encaixar-se umas nas outras

Pois sem qualquer preocupação de rigor ou exactidão cronológica
parecia que aquelas historias, que as narrativas que assim resultavam
se aproximavam estranhamente dos acontecimentos que viriam depois a suceder

Nessa altura as pessoas também se começaram a aperceber
que as suas vidas (as suas narrativas) podiam ser escritas

Alguns começaram a acreditar que ele seria um adivinho
(ou uma espécie de bruxo)
e não apenas um escritor de futuros

Mas se se desiludiam (quando nada aquilo não sucedia)
ou quando ele falava de coisas
que as pessoas simplesmente não queriam que acontecesse

Tinha que lhes explicar
que esses futuros possíveis que ele começara a escrever
eram às vezes apenas como realidades paralelas,
que se desdobravam a partir desta mesma realidade presente,

Mas que podiam caminhar para um futuro diferente



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tordesilhas

Quando se separaram
acharam por bem separar não apenas os bens
mas também as memórias
e as emoções
e assim nas partilhas daquele casal ficou escrito.

Pois se se ela ficou com os livros
ele ficou com a musica

se ela logrou ficar com a casa de campo
ele ficou com o apartamento da cidade

se ele com o quiosque do Príncipe real
ela com a pensão amor

e se ele ficou com o parque de Odeceixe
ela ficou com a praia do Amado

se ele conseguiu ficar com o Porto santo (e a Madeira)
ela garantiu os Açores

se ele assegurou as Caraíbas
mas ela acabou conquistar Buenos Aires

e assim da mesma forma
o seu mundo ficou assim todo dividido
neste seu Tratado

o que aconteceu é que depois
também esses lugares - esses espaços -
se tinham também resolvido separar

Porque o Porto já não quis ficar com Lisboa
Londres já não quis ficar com Berlim.
nem Praga com Bratislava
ou Kiev com Moscovo

(e  talvez tenha sido por isso que depois tenham entrado todos em guerra)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Imortal (parte 1)

Ao contrário do que alguns dizem
acerca da natureza única de cada individuo
aquele imortal tinha-se apercebido,
na sua quase infinita vivência,
(de milénios a andar entre os homens)
a percorrer toda a historia da humanidade

É que as pessoas afinal se repetem.

Aquele imortal havia descoberto
que havia algo de mais extraordinário no mundo
do que a sua própria imortalidade
(que era já de si invulgar)

Aquilo de que o imortal se apercebeu
e que lhe dava afinal a razão para continuar a viver (e eternamente)*
era que os indivíduos podem morrer,
as épocas podem mudar,
as gerações podem renovar-se,

mas de tempos a tempos
as mesmas pessoas voltam a surgir.

Aquela determinada pessoa volta a aparecer.
Não como ele que era imortal,
(e que por isso não chegava a morrer)
simplesmente voltavam a nascer pessoas idênticas.

Sem memória ou consciência da sua condição,
e sendo em tudo novas criaturas.
(mas) que não eram todavia originais.

Tanto aos homens, como às mulheres assim sucedia.
(também elas se voltavam a repetir)

A ele todavia só lhe interessava mesmo
e sempre
era encontrar novamente a sua mulher
Aquela que ele estava constantemente a perder.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Imortal (parte 2)

O problema daquele Imortal não estava no facto de ele próprio não morrer,
(facto no qual ele era realmente único entre os demais)
porque ao contrário de todos os homens e mulheres à sua volta,
ele era imortal e simplesmente não morria.

Mas aquele imortal porém dizia
que também morria sim e muitas vezes
de todas as vezes que perdia a sua mulher.
(que era assim que ele conhecia a morte.)

E assim de cada vez que lhe morria a companheira
ele morria um pouco também

A tarefa daquele imortal (*2) resumia-se então
na maior parte do seu tempo
(que já era de si infinito)
a tentar ciclicamente
reencontrar a sua mulher

terça-feira, 2 de julho de 2013

Poligamia

Ahmadinejad tinha apenas uma mulher
a quem muito amava

Mas aborreciam-lhe os sucessivos períodos de espera
a que ela biologicamente o obrigava
de cada vez que se menstruava

Foi nessa altura que se lembrou que podia vir a ter outra (esposa)
para poder cobrir (n)os ditos períodos de pausa conjugal

Após vencer algumas hesitações
lá se começou a deixar entusiasmar por essa sua ideia
e assim resolveu arranjar uma segunda mulher

Só que se deixou entusiasmar tanto
que se esqueceu de fazer bem as contas
e quando deu por isso,
descobriu que afinal o período menstrual da segunda
não se conseguia diferenciar assim tanto do da primeira

E não lhe garantia ao fim e ao cabo
a tão almejada disponibilidade para todos os dias

Como apesar de ser um homem carinhoso e atencioso
era também muito orgulhoso
nunca quis pedir conselhos a nenhum dos homens mais velhos
(muito menos às mulheres )
que entretanto se iam rindo dele à socapa

E lá resolveu então arranjar uma terceira
que lhe permitisse suprimir de vez
esses tão maçadores hiatos de abstinência
que continuavam teimosamente a persistir
em determinadas alturas do mês

Mas ainda que desta vez
tivesse verificado e contra verificado todas as suas contas mensais
o que é certo é que a coisa mais uma vez não se resolveu por aí
pois continuavam a faltar-lhe sempre
um ou outro dia no mês

Sendo ele teimoso e obstinado, como sempre foi
continuava insistir na solução que tinha ele mesmo determinado
e lá arranjou mais uma (a quarta)

Sendo também certo e sabido
que também com esta nova parceira
o problema continuava a persistir
o mês ia tendo sempre dias a menos

Pois à que à medida que ele ia arranjando mais e mais esposas
Por motivos que ninguém conseguia explicar
Estas iam acabando por alinhar
os seus ciclos umas com as outras
o que por sinal calhavam sempre
nos dias em que ele tinha mais vontade...

Às vezes convencia-se que eram elas que lhe faziam tudo aquilo de propósito
só para o irritar ou contrariar...

O que não lhe adiantava de muito, pois afinal
ele em casa estava cada vez mais em minoria...

Ainda pensou em recorrer ao sexo extraconjugal
Mas como era um homem muito temente a Deus acabou por desistir da ideia

sexta-feira, 21 de junho de 2013

o instrumentista

para que possa finalmente atingir a notoriedade
o instrumentista, (o interprete)
deverá saber por fim
tornar-se ele próprio o instrumento

terça-feira, 30 de abril de 2013

Inefável


Ele sabia que havia verdades que nunca lhe poderia contar
e por isso mantinha-se calado
permanecia distante e circunspecto

Mas já não era só isso

Percebeu entretanto pelo olhar dela que o silencio
já não seria só deliberado por Ele,
já era desejado por ambos

e parecia que também ela já se tinha apercebido
desse poder mágico que o pronunciar das palavras detinha

já não era só ele que tinha receio de o dizer...
era também ela que não o queria ouvir

e o silencio que ambos comungavam
era porque sabiam que tudo aquilo que pudesse ser enunciado
(que fosse capaz de transpor a barreira das palavras)

corria o risco de se tornar irremediavelmente real.
de se tornar terrívelmente parte da sua realidade

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Flash Forward


Era costume naqueles dias as pessoas interpelarem-se uma às outras
julgando estar a reconhecer amigos, ou conhecidos.
mas a maior parte das vezes nunca eram
nunca eram as pessoas que julgavam reconhecer

havia muitos sósias uns dos outros
isto aconteceu porque os estereótipos se tinham entretanto tornado mais fortes do que nunca
os modelos ganharam uma influencia obsessiva entre as pessoas.
toda a gente se queria fazer corresponder a esta ou aquele padrão    ...
(a parecer com esta ou aquela figura ...)
dentro daquele estreito intervalo de imagens massificado
que lhes iam sempre impingindo

mesmo a diversidade inicial,
que ainda assim existia entre algumas ofertas comerciais
tinham-se entretanto desvanecido
no decurso das guerras comerciais e publicitárias altamente agressivas que se tinham desenrolado
no fim dessa guerra sobravam então apenas alguns mais escassos modelos dominantes (modelos alfa)
que por fim triunfavam

E por isso se transformavam
primeiro a si
depois aos filhos
(com a tecnologia genética altamente sofisticada que entretanto foi surgindo)

E por isso se passaram a confundir todos uns aos outros

(...)

"Olhe desculpe, você não é o Rita ?
Não, não, você deve-me estar a confundir com outra pessoa
ah peço imensa desculpa, mas você é mesmo parecida com ela ..
não faz mal..adeusinho sim ?

Olha-me a conversa daquele tipo...
Ele por acaso aquele fulano até me lembra alguém ... não sei é bem quem ..."

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os homens invisíveis


A partir do momento em que ela foi possivel
(e devidamente regulada)
A invisibilidade

Houve como que uma febre
uma procura desenfreada pelo produto
por esse dispositivo que os tornava invisíveis
(com o qual nem sequer era preciso andar nu, sr. Wells)

O problema é que de inicio
não havia capacidade produtiva para satisfazer todos os pedidos
(para a procura que se gerou)

E foram apenas uns quantos a poder começar a usar
(apenas uma pequena maioria de eleitos)
que dormiram dias nas filas de espera para serem os primeiros

E para quê ?
para poder observar sem serem observados

Para poder dar azo
à sua vontade de poder olhar desinibidamente para o outro
(para a outra)

Sem ter de os incomodar
ou intimidar com o seu olhar obcecado

Ou apenas para não se incomodarem
com a forma como os outros os olhavam

Já que por Lei
também não havia mais nada que se podia realizar com esse tão mágico dispositivo

E para isso contribuíam os obrigatórios sensores de identificação
que permitiam a todos saber que estava ali alguém
E saber exactamente quem estava ali também.

Alguém que simplesmente não queria era deixar-se ver.

As pessoas passaram então a sentir-se acompanhadas de uma forma diferente
-algumas talvez incomodadas-

Havia os que que usavam para esconder algumas deformidades
(esses tinham tido prioridade na aquisição)

Outros apenas para não ter de se preocupar muito com o seu visual
a não ser quando isso fosse realmente necessário (imprescindível)

Ou então para poder andar mesmo nus

Não demorou depois muito tempo para que todos os pedidos fossem sendo finalmente respondidos.
Para que a(s) enormes lista(s) de espera fosse(m) finalmente esvaziada(s)

E então
à medida que as encomendas foram sendo satisfeitas
a rua passou a ficar também gradualmente mais vazia
até ficar deserta

o que não quer dizer que estivesse mesmo deserta

A princípio as pessoas ainda esbarravam bastante uma com as outras
enquanto os malditos sensores não estavam devidamente aperfeiçoados para o efeito
ou eram fornecidos por fabricantes duvidosos

mas na realidade
eles não tinham sido era concebidos para serem utilizados com tanta gente em simultâneo

E então
as pessoas tinham passado assim a andar todas  em ruas vazias
aos encontrões umas com as outras

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Freeware


Nessa altura tinha-se tornado tudo gratuito,
Tudo

os filmes, as musicas, os jogos
a informação, as noticias, a pornografia
todo o tipo de software

Tudo o que nos ocupava o espírito
tudo aquilo para que estávamos acordados 16 horas por dia
tudo o que se tinha tornado afinal a nossa razão de viver

Ao fim e ao cabo
o valor unitário tinha-se tornado tão irrisório
(já que se repartia agora entre os biliões de pessoas que os consumiam em todo o planeta)

que se tinha decidido efectivamente aboli-lo
(ou então podiamos dizer que era na practica gratuito)

nessa altura então
tudo o que era o nosso mundo (virtual)
tudo era gratuito
tudo

Tudo
menos a comida
porque essa teimava em ser
inevitavelmente real

mesmo que de plastico ...e massificada
(e rapida de preferencia... para que se possa rapidamente voltar ao jogo...)
essa continuava a ser inevitavelmente paga

Mas nessa altura a comida
tinha-se já tornado simplesmente
uma mera forma de poder continuar a jogar
a ver filmes...
a consumir noticias... ou sexo virtual

E não se pode dizer que era realmente uma sociedade infeliz
não havia propriamente preocupação com os suicidios

Porque nessa altura era tudo gratuito, tudo

tudo
menos a comida
porque quem pagava afinal tudo
eram os grandes produtores de comida

As pessoas tinham simplesmente de continuar a viver (e a trabalhar)
para poderem continuar a jogar
e a pagar

terça-feira, 19 de março de 2013

Num futuro virtual


As pessoas passarão mais tempo (a maior parte do tempo)
a dormir
do que "acordados"
no mundo real

Na realidade, estarão acordadas pouco mais de uma hora de cada vez
será essa a duração do seu dia
(do seu ciclo circadiano)

Vivem apenas uma hora de cada vez
o resto passarão numa câmara de repouso
ou num estado de vigilia intermédia
ou a deslocar-se mentalmente em ambientes virtuais (sem necessidade de corpo)

O corpo, esse, passará assim a maior parte do seu tempo afinal
numa câmara de tratamento
em vivencias virtuais

Nesse futuro as pessoas passam efectivamente mais horas a dormir
do que acordadas

Para não gastar tanto a vida

sexta-feira, 8 de março de 2013

A morte do Luís


o homem atravessa o espaço à sua frente
e ela não o viu
depois ele morreu .
caiu morto mesmo ali
e ela também não o viu
e jurava a pés juntos que tinha estado lá nesse mesmo momento
mas não tinha visto nada

isso acontecia-lhe frequentemente
deixar de ver pessoas
estivessem elas mesmo á sua frente
pessoas que outras pessoas tinham visto à sua frente
mas que ela não via
pessoas que pouco tempo depois vinham a morrer

diziam que ela tinha um dom
uma maldição
que deixava de ver aqueles que iam morrer

parecia que ela não os via
porque eles de certa forma nessa altura
tinham já deixado de andar entre os vivos
(por)que estavam já prometidos à morte

e (então) as pessoas deixaram de querer passar à sua frente
deixaram de querer que elas as visse de qualquer forma

as pessoas deixaram  de querer ser vistas por ela
porque estavam com medo de não ser vistas por ela

tinha-se tornado maldita
e toda a gente ia simplesmente desaparecendo da sua frente
ou ficavam apenas com aquele ar de pavor
de não serem vistas

ou simplesmente ficavam aqueles que faziam sempre muito por ser vistos
que (a) provocavam
que gritavam por (lhe) chamar a atenção
para terem a certeza de ser vistos

mas mesmo estes depois escolheram fugir

às vezes preferia ela afastar-se
tornar apenas aos sitios quando eles se esvaziavam das pessoas
andar pelos espaços ou pelos tempos que mais ninguém percorresse

porque parecia que ela deixava de ver aqueles que tinham por destino morrer
por ser uma bruxa maldita
ou talvez apenas simplesmente
porque a sua dor a fazia esquecer que as tinha realmente visto

mas era já o mundo que se esvaziava todo á sua frente
porque as pessoas já não queriam que ela (não) as visse
porque as pessoas (lhe) fugiram todas

mas então subitamente
aconteceu a grande catástrofe
e morreram todos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ponto cego


E então ela chegou
e depois daquele primeiro e fulminante olhar que o inquietou
foi sentar-se precisamente naquele lugar
que não permitia afinal uma linha de visão directa

Goradas as aparentes expectativas que aquele primeiro contacto visual parecia querer proporcionar

descobriu todavia depois que bastava apenas um movimento do corpo
uma pequena (mas sem duvida deliberada) oscilação do tronco
para que os olhos (se) pudessem novamente cruzar

A situação deixou-o talvez um pouco intrigado
e até desconfortável
(o movimento não deixava de ser um pouco forçado)

Porque teria ela agido assim ?
estaria ela à espera de mais algum passo ?
parecia que ela queria que ele de alguma forma se esforçasse
parecia uma daquelas situações que nem sim nem não

Mas por outro lado
mostrou também que não se tratava de uma mulher fácil
e ele também gostava disso

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Nano-namorado

O nano-namorado é assim mesmo

o nano-namorado não se demora:
Enamora-se.

contenta-se apenas com um olhar
com um sorrir

com aquele micro-instante
em que ela lhe retribui o olhar

mesmo que se cruzem apenas uma vez
(e que nunca mais se tornem a encontrar)

durante aquele nano-segundo
aquele instante infinitésimal

Ele sabe que ela foi dEle
E de mais ninguém

e vive essa fracção de segundo
como se fosse uma vida.

uma era.
a duração de todo um universo

esse instante de felicidade
em que ambos se olharam
(e sorriram ?)
coroam toda uma eternidade.

o nano-namorado não se importa
com o que (lhe) dizem alguns deles

porque sabe existirem muitos mais seres
que nascem e morrem nesse mesmo intervalo de tempo

o nano-namorado
vive toda a vida nesse instante

mesmo que ela a seguir
simplesmente se levante e se vá embora

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Casal



Naquele casal havia algo que não deixava de ser um pouco estranho
não se sabia bem (não dava para perceber)

Se era ela que gostava dele
Se era ele que gostava dela

Mas em todo o caso
haveria sempre uma terceira hipotese

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Futuro da relação


Ele sentia que eles como casal
não se conseguiam projectar bem no futuro

E assim, da mesma maneira como a via gradualmente
a ganhar as características sordidas da sua ex-mulher
Também se via ele próprio
transformar-se nos perversos ex-namorados dela