quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um belo dia

Aquele homem era um homem recto.
E tinha definido sempre a sua vida como um linha recta.
Sem nunca se ter desviado nem para a esquerda nem para a direita.

Até que atravessou aquele dia
Em que chegou à conclusão que aquela linha não apontava para lado algum.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

o clone dos clones


Quando aquele sujeito descobriu uma forma de produzir rapidamente clones de si próprio
a questão já não era onde é que ele seria capaz de estar em simultâneo
a questão era onde é que ele resolvia estar MESMO

A dada altura da sua vida promiscua
quando uma mulher descobre que afinal não tinha estado com ele
mas sim com um clone dele, resolve reclamar.

Ele, que apesar de tudo não deixava de ser um homem extremamente ocupado, a dada altura replica :

"estás-te a queixar de quê ?
isso só significa que tu até representas alguma coisa para mim,
se não significasses nada para mim, eu nem um clone mandava..."

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E se pudéssemos saltar essa parte ?


E se pudéssemos saltar por cima das nossas relações amorosas ?

Se pudéssemos saltar por cima do amor
para chegar logo directamente à amizade
(que é o melhor que podemos esperar quando o primeiro acaba)

Não seria tudo muito mais simples ?

E se pudéssemos seria saltar por cima da paixão
para chegar logo directamente ao amor ?

Não nos pouparíamos a uma pilha de nervos
a um amontoado inútil de ciumes
a uma tonelada de ansiedade

E se pudessem saltar por cima do sexo para chegar directamente à intimidade
(embora para alguns seja precisamente o contrário)
não seria tudo muito mais limpo ?

Se fizéssemos um bypass aos nossos impulsos
aquele (nosso) animal que carregamos vida fora
se pudéssemos seguir por esse atalho ?

E se pudéssemos saltar por cima de todos os nossos relacionamentos
para chegar directamente  ao afecto ?

Saltaríamos ?






sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ciclistas androginos


E lá estão eles
É sábado (ou domingo)
Mas estão já à porta da garagem
prontos para montar

E então
vestem os seus fatos andróginos
E lá vão eles

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

introdução às mulheres bonitas


O que é que se pode dizer a uma mulher
quando não se pode dizer o quanto bonita ela está hoje ?

(quando não podemos senão apenas 
passar de relance os olhos pelos seu ombros descobertos)


(...)

porque é que gosto de ter uma mulher bonita como amiga ?
porque uma mulher bonita não precisa de mim para nada

não traz calendário ou agenda (nem expectativas)
está simplesmente.

como pode ir.
quando achar melhor
(quando achar motivo para isso)

um belo dia

Aquele homem tinha uma particular configuração de feições
Que tanto dava para ser atraente nalgumas ocasiões
como particularmente feio noutras.

Isto era para ele muito mais interessante do que ser simplesmente atraente sempre.
E dava-lhe uma maior variedade de experiências (socialmente)
Evitava ter que estar sempre a evitar - ou "flirtar" - com as mulheres que com ele se cruzavam.

Os dias "bonitos"
(que eram os dias em que ele parecia bonito)
cultivavam e estimulavam-lhe a confiança e a auto-estima

Mas os dias "feios"
davam-lhe uma maior percepção da verdadeira personalidade e realidade
(ás vezes cruel) das pessoas.
E era nos sentimentos de rejeição
(que contrastavam bastante com o que sentia nos outros dias)
que ele encontrava mais temas para os seus pensamentos mais profundos.

Mais tarde descobriu também os dias que nem eram "bonitos" nem "feios"
(que eram simplesmente indiferentes)

Mas isto foi muito pouco tempo antes de descobrir que já tinha deixado de existir.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pensam Amor

Há uns que pensam nela pelo sexo
Há outros pensam ser muito mais do que isso
Eu por mim não sei quando me será possível poder voltar á Pensão Amor

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Noticia num jornal Ficticio:


MASSACRE NUM LAR DE IDOSOS

Homem mata indiscriminadadamente em instalações centro de dia de um lar de idosos no Alvor.

Possivelmente perturbado pelas imagens de degradação física e humana que ali encontrou (principalmente entre os utentes mais debilitados), disparou à queima-roupa consecutivamente sobre uma série de residentes que assim tiveram morte imediata.
"Foi para os libertar" - acabou no fim por confessar.
De caminho, o assassino em série matou também alguns elementos do pessoal auxiliar e da administração, libertando-os também da sua crueldade.